Sou formado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e fiz Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo (IOT/HCFMUSP).
Possuo título de Especialista em Ortopedia e Traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e fiz Especialização de Ombro e Cotovelo pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Já sentiu dores no ombro durante a natação? Durante uma partida tênis? Começou a ter dores no ombro após uma queda apoiando o braço ou na tentativa de se segurar em alguma coisa pra não cair?
Isso pode ser uma lesão do tipo SLAP ou lesão labral superior. É o que?!
As lesões tipo SLAP ou lesão labral superior são mais comuns em homens jovens e trabalhadores braçais que trabalham com o braço acima dos ombros e carregando peso.
Acontecem bastante em atividades do trabalho e esportes de arremesso como baseball, tênis, softball e handball.
Por que isso acontece?
A ideia mais aceita é que o bíceps tem uma origem na glenoide. Assim, essa origem ao realizar arremesso ou trabalhos repetitivos braçais, vai "descolando" da glenoide - final da escapula- pelo biceps "puxar" o labrim. Ao descolar, vai provocando dores com os mesmos movimentos, iniciados pelo bíceps "puxar" esse lábio da sua região de origem na glenoide.
É fácil o médico descobrir isso?
Definitivamente não. O médico deve fazer manobras e testes que não são feitos em todos pacientes, a Radiografia ou Raio X vem normal, assim como a Tomografia Computadorizada. A Ressonância Magnética, que é um exame mais caro e portanto de acesso mais difícil, nem sempre consegue visualizar. Ela deve ser aliada do exame físico para seu médico fechar esse diagnóstico. O que dificulta bastante o diagnóstico.
Como é o tratamento?
Como a maioria das doenças na ortopedia, a maioria dos pacientes não precisam de cirurgia. Mas isso não significa que o tratamento é fácil, pelo contrário. Várias sessões de fisioterapia focando em dor e alongamento, fortalecimento dos rotadores externos; além de acupuntura e diversos remédios para dor são utilizados.
Uma opção antes de partir para cirurgia durante o tratamento ainda é a infiltração. Nela o médico aplica um líquido para tratar a dor do paciente, sem objetivo de cura do problema, mas de controle da dor, para conseguir realizar a fisioterapia e aliviar por alguns meses a dor no trabalho e no esporte.
Em geral, sem uma resposta boa ao tratamento conservador por 6 meses e com necessidades importantes como retorno ao esporte e dependência do trabalho, indica-se a cirurgia. A cirurgia hoje, para o SLAP ou lesão do labrum superior, quando indicada, é realizada por Artroscopia. Importante dizer que em casos de queda ou trauma, o tratamento conservador tende mais a falha, assim, pode ser indicada a cirurgia antes de 6 meses.
Na artroscopia, coloca-se uma câmera, por furos de 2cm no ombro, e com ajuda de outros furos de 2cm, realiza-se a cirurgia.
A cirurgia pode ser feita com reparo labral, ocorrendo fixação com âncoras do labrum na glenoide- final da escápula. Esse tipo é indicado quando o paciente tem <35 anos ou está associada a luxações recorrentes do ombro.
Outra opção é a tenodese do bíceps. O que? Português, por favor...
É basicamente fixar o fim do bíceps no úmero-osso do braço- com âncora ou parafuso . Essa última indicada quando falhou a reinserção, quando junto de lesão do Manguito rotador, em pacientes com >35 anos e com bíceps altamente comprometido.
Os estudos mais recentes tem dado preferência cada vez maior para a tenodese do bíceps em relação a fixação na glenoide por complicações desta última de 10%.
O que não me falam que pode dar errado na cirurgia?
A dor pode continuar no ombro, você pode ter rigidez do ombro, problemas com as âncoras, lesão da cartilagem pelos nós artroscópicos, re-ruptura e infecção. Na revisão cirúrgica, em geral fazemos a tenodese ou tenotomia (cortar apenas) do tendão do biceps.
Tudo isso?
É... Por isso que é importante ser bem indicada e só realizar em casos de não melhora do tratamento conservador. Nesses casos, vale a pena a cirurgia, mesmo com esses riscos.